Como se tornar dj? Essa é a pergunta que sempre surge na cabeça de um aspirante a dj. Geralmente a vontade de aprender aparece depois de uma noite incrível em um festa com um dj experiente. Se você tem se perguntado por onde começar, esse post vai te ajudar a dar os primeiros passos. Continue lendo para saber como.

O efeito causado por uma boa seleção de músicas mixadas em transições suaves pode ser devastador… Em alguns casos a conversão é instantânea: bastam algumas batidas para que o interesse seja despertado e daí em diante o caminho é sem volta.

Se você está lendo esse post, é por que está interessado em aprender a tocar. Antes de procurar um curso ou já sair comprando equipamentos, preparamos um material introdutório para ajudá-lo a ter uma visão mais geral sobre a arte da discotecagem. Parece bom? Leia até o final, você vai aprender sobre:


1 – Conhecendo a cena

2 – Principais desafios

3 – Dicas para começar

4 – Considerações finais

Como se tornar dj

Um dos fenômenos mais comuns entre aqueles que desejam aprender a tocar é o primeiro susto com as dificuldades. Nossa pretensão aqui não é a de assustar ninguém, pelo contrário, esperamos gerar algum grau de motivação e interesse, mas sem recorrer a promessas de facilidade ou receitas prontas. Esse assunto deve ser tratado com realismo e respeito. É o que pretendemos fazer a seguir.

A visão inicial de quem ainda não entrou em contato real com os equipamentos e técnicas é a da simplicidade aparente. De fora, tocar parece apenas uma questão de apertar botões e levantar os braços para cima. Na prática o processo de como se tornar dj envolve muita técnica e bagagem, apertar botões é apenas a ponta do iceberg.

Se pensarmos na prática de tocar qualquer instrumento de forma pura, ela parecerá simples e boba: tocar violão é uma questão de bater a palheta nas cordas de forma ordenada ou tocar bateria é apenas uma questão de bater com a baqueta nos tambores.

Tudo parece simples desse ponto de vista. Mas quando pensamos na capacidade humana de transmitir emoções e conectar pessoas através de vibrações sonoras ordenadas de forma intencional, a coisa começa a parecer mais complicada.

Feito este esclarecimento, podemos prosseguir com o guia.

1 – Como se tornar dj: comece pela história
Conhecendo a cena

Antes de aprender como se tornar um dj, você precisará conhecer um pouco sobre a cena, como as coisas funcionam e como viemos parar no estado em que nos encontramos. Para isso, é importante recuperarmos brevemente a história e evolução da cena.

A música eletrônica já não é mais algo tão distante e alienígena como fora no passado, a maioria das pessoas tem ou teve contato com esse tipo de música.

Seja frequentando uma festa ou ouvindo música em uma rádio, streaming, etc. O interessante é que boa parte das pessoas, até mesmo aquelas que dizem não gostar de música eletrônica, muitas vezes ouvem bandas que utilizam sintetizadores, instrumentos e efeitos relacionados à música eletrônica que não são notados por ouvidos não treinados.

Mas essa popularidade da eletrônica não foi sempre assim. Na verdade durante um certo tempo, ela esteve associada exclusivamente à uma visão negativa e ganhou o status de subversiva.

Hoje, quando falamos de música eletrônica para “outsiders” (pessoas não pertencentes à cena) a primeira imagem que aparece em suas mentes normalmente é aquela dos grandes festivais com djs galãs de braços para cima, preços exorbitantes, música comercial e muitos jatos de CO2.

Esse cenário parecia completamente improvável há alguns anos. Ao contrário dessa visão idílica de um mercado receptivo e multimilionário, na verdade a música eletrônica esteve associada a movimentos subversivos de resistência.

A house music, por exemplo, surgiu como uma continuação da cena disco dos anos 1970, refúgio de grupos negros, homossexuais e imigrantes discriminados nos Estados Unidos.

“O club Warehouse era um lugar apenas para membros, eles queriam que as pessoas entrassem lá e deixassem de fora todo o preconceito, homofobia, sexismo.” Honey Dijon – Dj e produtora.

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Um pouco dessa história pode ser vista no documentário “I Was There When House Took Over the World”. A fala de cada um dos artistas precursores lança luz sobre o início da house music, as dificuldades da cena, a perseguição, a genialidade do movimento, a rápida popularização e muito mais.

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O nascimento da música eletrônica está intimamente ligado aos movimentos de contra cultura. Artistas sem qualquer conhecimento musical, na maioria das vezes pobres, usando a tecnologia disponível para fazer remendos entre músicas prontas, coladas à novas gravações de sintetizadores e drum machines, criavam peças completamente inovadoras.

A explosão da cena a partir dos anos 1980, gerou uma série de movimentos em diferentes sentidos. Os hippies perseguidos pelas autoridades americanas fugiram para GOA na Índia e misturando o rock psicodélico com os ritmos espirituais indianos, fundaram o trance psicodélico.

Na Europa a cena floresceu em diferentes formas, seja pintada pelo synthpop robótico dos alemães Kraftwerk, pelas melodias viciantes do Italo Disco e as batidas profanas de Depeche Mode, New Order, Ultravox e muitos outros.

As festas raves eram completamente clandestinas e ocorriam em lugares secretos: barracões, galerias e prédios abandonados, tudo longe dos olhos das autoridades. 

Foi também nessa época que os primeiros clubs de música eletrônica surgiram, criando uma comunidade de frequentadores assíduos, que ficaram conhecidos como “clubbers”.

Dentre eles, podemos citar os lendários Studio 54 e Paradise Garage em Nova York, Warehouse em Chicago, Fac 51 Haçienda na Inglaterra, os clubs After e Space em Ibiza e muitos outros.

A história da música eletrônica é muito mais ampla e pode ser contada de diferentes formas, trata-se de um movimento global amplo, uma onda avassaladora que criou rapidamente milhares de micro nichos e cenas locais

A lição que pode ser retirada dessa história é justamente a da pluralidade, do sentimento de acolhimento gerado por uma comunidade de pessoas muito diferentes, mas com um objetivo em comum: dançar e se divertir por horas ao som de boas músicas.

Agora que você já sabe um pouquinho sobre a história da música eletrônica, podemos responder sua pergunta do começo do texto “como se tornar um dj”. Continue lendo e aprenda como.

2 – Como se tornar um dj: principais desafios

Os primeiros passos de um dj iniciante não são nada fáceis. Trataremos a seguir dos principais desafios que você encontrará em sua jornada e na seção seguinte, ensinaremos algumas dicas para superá-los com menor dificuldade. 

Uma pessoa decide fazer um curso para dj com a expectativa de sair tocando nas festas mais bombadas. A visão sobre a discotecagem vinda de quem está do lado de fora é geralmente associada a uma aparente simplicidade.

Visto de longe, um dj parece apenas apertar alguns botões para tocar uma seleção de músicas. Mas não se engane, se você ainda não teve o primeiro choque ao entrar em contato com as técnicas ou equipamentos, provavelmente isso ocorrerá muito em breve.

Você quer saber como se tornar um dj e para isso, precisará de uma postura séria em relação a seu objeto de estudo. Não subestime o grau de dificuldade. A aparente facilidade logo será revertida em um susto.

É quase sempre a mesma história, uma parcela significativa dos pretendentes a djs desistem já nas primeiras tentativas. Basta um balde de frustração ao tentar juntar as batidas de duas músicas.

Ao contrário do que muitos imaginam, não basta apenas entender como se faz uma coisa para de fato saber como executá-la. A prática envolve memória muscular, mas além disso, ouvidos bem treinados.

Outro grande desafio, talvez o maior para a maioria das pessoas, é o preço dos equipamentos. Um par de CDJ-2000 Nexus 2 e um mixer DJM-900 Nexus 2, o setup encontrado na maioria dos clubs e festivais, custa algo em torno de 30 a 40 mil reais.

Definitivamente um valor fora de cogitação para 99.9% das pessoas, especialmente quando pensamos em alguém que está pretendendo dar seus primeiros passos em uma atividade nova, seja como hobby ou profissão.

Claro, existem outros modelos mais em conta, mas os valores dos equipamentos para quem quer ser tornar um dj continuam bem salgados. Uma XDJ-RX2 da Pioneer custa algo em torno de 6 a 10 mil reais.

Um terceiro problema enfrentado por iniciantes diz respeito à abrangência da temática: como as coisas funcionam, gêneros musicais, equipamentos, diferenças entre djs e lives, cenas, festas, selos, etc, etc, etc. 

Compreender um tema tão diverso e com tantas nuances, nichos e micro nichos não é nada fácil. Especialmente para alguém que por acaso caiu de paraquedas na cena, sem ter qualquer conhecimento prévio.

Todos esses problemas podem ser resolvidos com um pouco de paciência, dedicação e algum dinheiro bem utilizado. Mas para isso, é preciso desenvolver uma boa estratégia de estudos para cobrir cada um dos tópicos acima. Além disso, um pouco de disciplina é sempre bem vinda, fará toda a diferença na velocidade de sua progressão.

Quer aprender como superar desafios e dificuldades encontradas em se percurso como dj iniciante? Leia a seguir.

3 – Como se tornar dj: dicas para começar

A verdade é que existem muitas e muitas dicas para você que quer entrar no mundo dos djs. Por isso vamos dar dicas mais pontuais sobre o assunto, que vai ajudar muito nessa nova fase.

Ter uma boa bagagem musical vai fazer muita diferença nesse momento. Um repertório amplo e entender de música vai te destacar do resto dos artistas, uma vez que o cenário de djs está cada vez mais competitivo. É o que separa os bons djs, e os não tão bons assim.

A primeira dica importante é, depois de estar por dentro da cena da música eletrônica, e conhecendo como as coisas funcionam, quem faz parte e quem se destaca… é hora de tentar conhecer e definir seu estilo. Esse é o ponto de partida decisivo para os primeiros passos da sua vida de dj.

Definir seu tipo de som é muito importante, para isso é preciso estudar cada uma das vertentes para construir uma identidade. Dentro dos mais conhecidos, estão o House, Techno, Break-Beat, Drum and bass, Trance, Minimal, Dubstep, entre outros. Não é necessário ficar preso em um estilo só, mas é interessante buscar uma estética.

Tente arrumar algum equipamento pelo menos para treinar, sem ele as coisas vão ficar mais complicadas. O momento mais importante na hora de começar a ser dj, é conhecer as práticas da mixagem, estudando e praticando. 

Seja através de cursos ou só pela internet, o estudo pra ser dj é indispensável, criando uma rotina e focando no que você precisa saber provavelmente vai te ajudar nesse momento. Depois de estudar, é vez de praticar o que você aprendeu até então, testando o que funciona ou não para você e o que precisa ser melhorado.

Tente entender mais sobre os equipamentos de dj, o que você vai precisar, para que serve,  qual se adapta melhor para você e qual a faixa de preço.

Depois de ter certa prática e um nível de experiência, é o momento de promover seu trabalho e fazer com que as pessoas saibam quem você é e o que você faz. Crie um perfil no SoundCloud e poste suas produções lá, esse streaming é hoje a melhor e mais comum maneira dos artistas postarem seu trabalho.

Qualquer impulsionamento pessoal em outros canais de divulgação também são boas publicidades, seja no Facebook, Instagram e/ou Youtube.

Um modelo de divulgação comum entre os artistas é criar um release, um texto que apresenta as informações mais relevantes sobre você. É ideal para descrever seu produto e o público destinado do seu trabalho.

4 – Como se tornar dj: considerações finais

A popularização dos espaços destinados para os djs, fez com que essa profissão seja muito cobiçada por essa nova geração. Sem contar os vários artistas brasileiros que estão lançados internacionalmente e fazendo muito sucesso. Isso enche os olhos de quem gosta de música eletrônica e os fazem sonhar com essa vida de glamourização e status.

Mas as dificuldades aparecem logo de cara quando você começa a dar seus primeiros passos como dj e finalmente percebe que esse trabalho vai muito além de apertar alguns botões. É todo uma preocupação com o antes, durante e depois. 

Bons djs possuem uma boa bagagem musical, pesquisam muito, praticam, treinam e procuram permanecer em evolução. As coisas parecem ser fáceis visto de fora, mas quando você entra nesse mundo, percebe que definitivamente não é.

Diante das principais dificuldades em ser dj que mostramos aqui, não desistir de cara parece ser o maior desafio dessa profissão. Você vai precisar trabalhar muito para conseguir seu espaço, criar sua estética e fazer com que as pessoas te conheçam. Por outro lado, a satisfação de fazer o que gosta, faz o esforço valer a pena. 

A melhor maneira de contornar as situações que você tiver dificuldades é ver as possíveis soluções que estão em seu alcance. Mantenha contato com quem tem experiência no assunto e já passou por isso, peça dicas e sugestões para resolver seu problema. Leia o que as pessoas estão publicando na internet sobre esse assunto.

Fora isso, falar sobre persistência e dedicação é um discurso batido mas se encaixa muito bem quando o assunto é como se tornar dj.

Espero que tenha conseguido sanar suas dúvidas e te ajudado nesse momento da sua vida. Continue acompanhando nosso blog se você quer receber dicas, técnicas e informações sobre discotecagem e produção musical.

 

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